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Nova ocupação do MSTB na Av. Jequitaia: apóie já!

15 de setembro de 2010

O Movimento dos Sem-Teto da Bahia (MSTB) realizou na madrugada do dia 13 de setembro de 2010 nova ocupação na Av. Jequitaia, próxima ao Mercado do Peixe de Água de Meninos, contando com cerca de sessenta famílias. O espaço é grande o suficiente para todas as famílias e para um espaço educativo-formativo, sonho antigo do movimento. Doações urgentes são necessárias. Apoie já esta luta!

Quarenta famílias desabrigadas pelos recentes desabamentos de casarões do Centro Histórico, integrantes do Movimento de Sem-Teto da Bahia (MSTB), ocuparam um prédio azul de sete andares na Av. Jequitaia, perto do Mercado do Peixe de Água de Meninos, vizinho à Hidrobombas. Segundo os ocupantes, o prédio fora desapropriado para ser destruído na obra da Via Expressa, mas com a mudança de projeto ele ficou onde estava, e abandonado já há muitos anos.

A OCUPAÇÃO

Ao chegarem no imóvel de madrugada, as quarenta famílias desabrigadas encontraram-no vazio, sem ninguém, sequer um vigia — prova de seu total abandono. Por dentro, um enorme galpão cheio de entulho no térreo; no subsolo, muitos materiais abandonados pelas empresas que lá funcionaram anos (quem sabe décadas) atrás; nos sete andares, que deveriam ter sido escritórios e salas profissionais, muitas salas vazias, com uma ou outra cadeira de escritório abandonada. A alvenaria, diferentemente do que acontece com os casarões abandonados do Centro Histórico de onde vieram os ocupantes, está em bom estado, e as paredes não estão úmidas nem têm mofo ou limo.

Horas depois, já pela manhã, um destacamento policial apareceu rondando o prédio. Já estavam lá presentes, além dos ocupantes, dois dos coordenadores estaduais do MSTB (Pedro e Raimundo) e um advogado do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), chamado para ajudar na mediação de conflitos. A PM aparecera porque, segundo eles, teriam recebido uma denúncia de que “tem gente entrando no prédio para roubar as coisas”; ao verem que se trata de um movimento de luta por moradia, não fizeram qualquer outra intervenção e foram embora.

A presença da polícia causou medo e apreensão entre os ocupantes, cuja maioria está acostumada a ser escorraçada de casarão em casarão por estes agentes do Estado sem qualquer justificativa ou autorização legal, como se fossem animais. Ao verem que a PM se retirava, os ocupantes que observavam das janelas, apreensivos, a conversa com os policiais, comemoraram muito e passaram a tomar conta do espaço: ver quem fica onde, organizar os rodízios de segurança, checar todos os andares, inventariar e separar todo e qualquer bem de valor encontrado, cuidar das crianças para que não caiam no fosso dos elevadores…

Até o momento (14/09/2010, 11h24min) a ocupação de Água de Meninos cresceu de quarenta para sessenta famílias; como é normal acontecer, assim que a notícia de uma nova ocupação se espalha chegam outras famílias de desabrigados para buscar um teto — mas infelizmente nem há espaço nem seria humano colocar todos num só lugar. E chegam não só estes desabrigados, mas também gente muito estranha, ligada sabe-se lá a quem, que aparece para sondar, ver, se informar e sair, como se fossem prestar contas a alguém com interesse no prédio.

SEU APOIO

A ocupação de Água de Meninos precisa, neste momento, de toda sua solidariedade. Toda doação é bem vinda. Como se trata de pessoas que perderam tudo nos desabamentos, estão todos recomeçando a vida. O MSTB sugere desde já alguns itens para doação:

a) Roupas e calçados de todos os tipos e tamanhos;
b) Colchões e camas;
c) Material de limpeza: vassouras, panos, baldes, rodos, bacias, muito desinfetante e muita água sanitária, outros produtos de limpeza de todos os tipos em grande quantidade etc.;
d) Água potável: como o encanamento não funciona, garrafões de água mineral cheios, mesmo preenchidos só com água filtrada ou fervida;
e) Móveis: estantes, cadeiras, armários, sofás etc.;
f) Eletrodomésticos: principalmente geladeiras e fogões;
g) Alimentos não-perecíveis: feijão, temperos secos (pimenta-do-reino, orégano, colorau, cominho, louro etc.), macarrão, farinha, arroz, óleo, sal, biscoitos, café, fubá, leite em pó, açúcar etc.
h) Brinquedos para as crianças.

O prédio tem um galpão que o MSTB pretende usar para concretizar um velho sonho: um espaço educativo-formativo, onde seus integrantes possam realizar atividades educativas e formativas fundamentais para desenvolver suas capacidades no processo de luta por moradia e por uma sociedade mais justa e igualitária. Para concretizar este sonho, o movimento precisa estruturar este espaço com móveis (estantes, cadeiras), eletrodomésticos (televisão, DVD), livros (do ensino fundamental até livros universitários), filmes em DVD, material didático (cadernos, papel, lápis, canetas, quadro branco, marcadores para quadro branco, cartolina, papel-metro etc.).

Mas acima de tudo o movimento precisa de sua presença solidária no local! Se você quer ajudar na limpeza do prédio, se tem alguma oficina ou curso que gostaria de oferecer aos moradores, se quer propor alguma atividade, ligue e apareça!

CONTATOS

Pedro: (71) 8808-6718

Carla: (71) 8644-8052

Clique aqui e veja uma galeria de fotos no site do MSTB!

http://www.mstb.org.br/

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MST ocupa fazenda em Funilândia-MG

15 de setembro de 2010

Cerca de 100 famílias do Movimento dos Trabalhadores(as) Rurais Sem Terra – MST, ocuparam nessa madrugada de segunda dia 13 de setembro de 2010, mais uma fazenda improdutiva no município de Funilândia, divisa com Sete Lagoas, 100 km de Belo Horizonte.

A fazenda de nome Granja Manoa é de propriedade de Oto Guimarães Mourão, e está abandonada há vários anos. O proprietário tem o título de apenas 97 dos 520 hectares da propriedade. O que caracteriza ser terra devoluta. Além disso, a propriedade possui duas matrículas junto ao INCRA, mais um sinal de irregularidade.

Próxima a Sete Lagoas a fazenda está em uma região invadida pelo agronegócio, pela monocultura do eucalipto, sofrendo os impactos do modelo de desenvolvimento que abusa do uso de agrotóxicos, concentra renda, não emprega, e destrói o meio ambiente.

A ocupação tem por objetivo que a propriedade cumpra sua função social, e ainda visa desenvolver a agricultura familiar na região e a produção de alimentos saudáveis para a cidade.

É mais uma vitória dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, menos um latifúndio no Brasil e em Minas, menos desemprego e violência nas cidades, mais um passo na construção de um Projeto Popular.

Reforma Agrária: Por justiça social e soberania popular!

FONTE: Agência de Notícias Brigadista