Cege-USP: Moção de repúdio contra a ordem de despejo aos “Alagados do Pantanal”

O Centro Acadêmico de Estudos Geográficos “Capistrano de Abreu” – CEGE/USP, vem, por meio deste, manifestar seu repúdio frente à reintegração de posse do terreno onde vem sendo construída a ocupação “Alagados do Pantanal”

Acreditamos que é um ato de extrema criminalização às famílias que desde abril vem se organizando e construindo um movimento de luta por moradia digna.
Se negar às negociações e ao diálogo com os movimentos sociais demonstra um enorme desrespeito com o povo que luta por seus direitos.
Não é com polícia que um problema político é discutido.

Todo apoio às ocupações em São Paulo, em especial a ocupação dos “Alagados do Pantanal” (segue em anexo e abaixo a moção de apoio às ocupações)

Att
Felipe

CEGE/USP
Centro de Estudos Geográficos ‘Capistrano de Abreu’
Gestão “À Palo Seco”

cegeusp@gmail.com
http://cegeusp.blogspot.com

MOÇÃO DE APOIO À OCUPAÇÃO “ALAGADOS DO PANTANAL”


         Nós, estudantes de Geografia e geógrafos, viemos manifestar nosso apoio à ocupação “Alagados do Pantanal”, no Jd. Curuça, Zona Leste de São Paulo, que se iniciou no dia 17 de abril e desde lá vêm resistindo às investidas violentas por parte do Estado através da Polícia Militar.
            O processo de urbanização, que tende a promover em sua forma mais acabada, a metrópole, uma ditadura do econômico, faz da cidade uma mercadoria e não um lugar para se habitar e viver; seus espaços tornam-se estruturas para a circulação de mercadorias e toda vida humana fica pautada em relações monetarizadas e impessoais, que giram em torno do trabalho. Todo esse processo, entretanto, tem em sua base a propriedade privada no capitalismo, que se origina na expropriação e no controle de uma classe sobre os meios de produção.
            Frente ao processo de expansão da mobilização do trabalho, as metrópoles são o principal lugar da concentração da força de trabalho e nela formam-se os exércitos industriais de reserva, ou seja, toda a massa de trabalhadores e desempregados que buscam um lugar para garantir sua reprodução mínima se concentram nas metrópoles. Porém, em um contexto de urbanização crítica, a vida urbana é restringida para poucos. O lucrativo mercado imobiliário encarrega-se de excluir a população pobre dos centros criando centralidades que o movimento do capital engendra. Assim, há uma constante reafirmação da propriedade privada da terra no processo de reprodução do urbano, como forma de expropriação dos pobres, reservando a eles as periferias e hiper-periferias.
            Ocupar terrenos que estão sob interesse social ou mesmo esperando a valorização fictícia, no seio da lógica de reprodução do espaço urbano, não é crime e sim resistência à instituição da propriedade privada, fundamento da sociedade produtora de mercadorias.
            Habitar na metrópole não é só um problema de caráter quantitativo e conjuntural como quer o Estado, os bancos da habitação e as empresas construtoras; mas sim, uma questão estrutural da reprodutibilidade capitalista, pois reafirma a propriedade privada. Por esta razão, ao invés de resolver o problema (o que só seria possível se superássemos a propriedade privada), os poderosos transferem a sua localidade. Formam-se grandes territórios nas periferias, onde a vida urbana precária se tornou a forma de reprodução das relações sociais capitalista que, efetivam específicas relações de dominação, permeando toda vida cotidiana. A exemplificação deste controle são os grandes conjuntos habitacionais, os quais o Estado direciona a população pobre e sem moradia, que têm em seus espaços funcionalizados e programados a chave para explorar o trabalhador mesmo em seu tempo do não-trabalho.
            Portanto, a luta contra a propriedade privada, contra a restrição da vida urbana é também uma luta contra os imperativos monetários. Os ocupantes em toda cidade de São Paulo persistem frente a este processo e por isso são criminalizados, por se oporem à ordem abstrata e opressora do capital.
            Por tais motivos apoiamos a luta dos moradores do Jardim Pantanal, que foram arbitrariamente alagados pelos detentores do poder, os quais agora querem impedi-los de lutar pela vida que lhes foi expropriada.
            Todo apoio às ocupações em São Paulo! Todo apoio à resistência dos Alagados do Jd. Pantanal! Pelo fim da criminalização aos que lutam!
Centro de Estudos Geográficos “Capistrano de Abreu”
Gestão “À Palo Seco”

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