INFORME DA LUTA CONTRA ENCHENTES – PANTANAL

Terra Livre – Movimento Popular Campo e Cidade – http://www.terralivre. org

O ato do dia 8 de fevereiro na Prefeitura de São Paulo foi decisivo para a população atingida pelas enchentes, principalmente a da várzea do Rio Tietê na Zona Leste. A prefeitura está acuada com as mobilizações e denúncias do movimento contra a enchente e, apesar de enrolar nas mesas de reivindicações e ficar longe da solução do problema, foi obrigada a conceder junto com o governo estadual a limpeza do rio e o fim imediato da inundação. Muita gente que foi ao ato se espantou quando chegou em seus bairros: “Saí com água no joelho e cheguei em casa com o sapato no pé”. Estava seco.

O Governo Serra controla as barragens com as empresas terceirizadas que sugam o dinheiro público. Fecharam a barragem da Penha e soltaram água das barragens de Mogi das Cruzes no dia 8 de dezembro para inundar a região que eles pretendem construir o Parque Linear do Tietê. Querem expulsar o povo pagando no máximo 1800 reais na infame bolsa-aluguel. O fim do represamento era a nossa principal reivindicação, além da continuidade das reuniões com o poder público (também conquistada) , indenização ou outra casa para sair da região, indenizações pelos danos materiais e morais da inundação e a presença de profissionais e estrutura de saúde, bombeiros e serviço social nos bairros. Depois de 60 dias de inundação e mais de 15 mortes causadas pelos governos, a população agora está resistindo contra as remoções das casas.

Após a enchente, estamos em uma nova fase da luta no Pantanal da Zona Leste. O único plano público que os governos têm para a população pobre e vivendo em áreas de risco de alagamento é o da remoção forçada. Eles vão expulsando essa população cada vez mais para a periferia para valorizar terrenos para as empresas imobiliárias que os apóiam e financiam, construindo parques e condomínios. As obras contra as enchentes são poucas, com os seguidos cortes no orçamento público, e se concentram nos bairros centrais. Para expulsar o povo do Pantanal usaram as enchentes e agora vão usar tratores e a polícia para remover quem resistiu.

A estratégia do MULP (Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, apoiado pela Terra Livre) é expandir a resistência nos bairros contra as atividades da prefeitura, tanto de cadastramento quanto da remoção. Conscientizar sobre a legitimidade de negar a institucionalidade e autoridade do Estado e mobilizar em torno da manutenção das construções, mesmo aquelas cadastradas em troca do bolsa-aluguel.

As enchentes são comuns em cada verão em São Paulo. Uma mistura de falta de moradia para boa parte da população, falta de obras públicas para urbanizar e conter as águas, a impermeabilização constante da cidade, agora com a expansão da Marginal Tietê, e o caos causado pela economia capitalista liberal causam essas catástrofes para o povo pobre. A outra catástrofe para esse povo é que o Estado os reprime no seu direito mais básico, o de ter um teto. Todas as áreas onde existe população de baixa renda são consideradas ilegais e passíveis de remoção por parte das prefeituras. Para morar, esse povo tem que lutar e arrancar do Estado e da burguesia espaço de moradia.

Por isso, o povo pobre da periferia se levanta. Agora ele está se mobilizando por conta das enchentes. O ato do dia 8 de fevereiro foi um importante momento da união necessária do setor mais numeroso da classe trabalhadora, em volta da luta por moradia. Precisamos unificar todo o povo atingido pelas enchentes e em áreas consideradas irregulares. Avaliamos que é o momento de avançarmos sobre o governo estadual pelo seu papel estrutural na questão das enchentes e pela blindagem política que Serra tem na sociedade. Com isso é possível ajudar muito a reorganização dos trabalhadores e no reascenso da luta de classes, aproveitando do que existe de mais explosivo de poder de mobilização nas periferias das grandes metrópoles hoje em dia.

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Uma resposta to “INFORME DA LUTA CONTRA ENCHENTES – PANTANAL”

  1. Cecília Luedemann Says:

    Gostaríamos de fazer uma entrevista com os participantes do MULP e Terra Livre para o jornal laboratório O Cidadão, do curso de jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Miguel Paulista. Os estudantes do terceiro ano estão investigando as causas e o que deveria ser feito para a resolução do problema das enchentes e da moradia na região. Dividimos os estudantes em equipes: Jd Romano, Jd Pantanal, Jd Helena e V Itaim. Nos três primeiros já foi feito contato e visita. Há uma equipe para apurar com outras fontes, como especialistas, poder público, etc.
    A ideia é publicar primeiro um boletim, de uma página, para cada região, com informações gerais das causas e propostas e, depois, informações específicas da região. A situação é mesmo alarmante, parece que houve um terremoto. Os moradores estão sob pressão, saindo ou ficando entre escombros. Depois do boletim, com uma visão geral sobre o que aconteceu, porque e o que deveria ser feito, continuaremos as investigações, com provas, documentos, fotos, entrevistas para a publicação do jornal-laboratório com 8 páginas. Vocês poderiam entrar em contato conosco? Se quiserem, também podem vir conversar com os estudantes em São Miguel. É só marcar.
    Um abraço
    Cecília Luedemann- profa. jornalismo

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